A Instituição de Longa Permanência para Idosos, ILPI, Casa do Ceará, enfrenta despesas altas e dificuldades para cumprir todas as exigências da Vigilância Sanitária e da fiscalização do Distrito Federal.
A Casa do Ceará é uma instituição fundada em 1963 pelo deputado federal Crisanto Moreira da Rocha, com o objetivo de reunir os cearenses em Brasília e orientar os migrantes do Ceará em busca de trabalho.
Para equilibrar as finanças e cobrir as despesas da pousada, a gestão revitalizou uma antiga área de ginásio que estava desocupada após a empresa anterior ter fechado as portas, o espaço foi alugado por uma outra empresa parceira e serve como uma das fontes de renda do assentamento.
Há 5 anos, a Casa do Ceará firmou uma parceria com o Governo do Distrito Federal para receber as pessoas encaminhadas diretamente pelo governo, que em compensação, fornece uma contribuição que ajuda a cobrir partes das despesas da pousada.
“Como ela tem uma despesa muito grande, todas as demais áreas cobrem. A renda que a gente obtém nesses outros espaços ajudam com os custos da pousada”, afirma o presidente do local, José Sampaio Lacerda
Propriedade
A Casa do Ceará é descrita pelo presidente como a única instituição em que o governo chegou a oferecer para outros estados construírem um modelo semelhante. Além do serviço de saúde, o local abriga pinacoteca, museu de arte, horta comunitária, escola de idiomas e cursos de costura, depilação e cabelereiro.
A instituição realiza, anualmente, atendimentos gratuitos para 650 a 700 pessoas, além de atender mais de 20.000 pessoas em sua Policlínica e na Oncoclínica. No momento, a ILPI abriga 21 idosos, com capacidade máxima para 22, o que significa que há apenas uma vaga restante.
A Pousada serve como um acolhimento para idosos vulneráveis, cujo a maioria, não possuem nenhum familiar e devem permanecer sob os cuidados da casa até o fim de suas vidas. A psicóloga, Valéria Rodrigues Guedes Nunes, que atua na instituição há 4 anos, lida com todos os vulneráveis e com suas necessidades individuais, com base em seus diferentes estados cognitivos.
“Então é sentar-se na beira do sofá e conversar por horas com os idosos, isso estimula a parte de habilidades sociais e linguagem. Todas essas funções executivas que eles precisam estimular, para tardar alguns transtornos, algumas questões neurológicas”, disse a psicóloga.
Alguns dos idosos até possuem certa autonomia para sair da casa, entretanto, há um limite de horário estabelecido para o retorno à instituição. Já os residentes em condições frágeis, têm suas saídas restritas a situações em que os próprios familiares venham buscá-los e se responsabilizem pelo retorno.
Um caso curioso é o de Lúcia de Fátima Rosa, que morava sozinha no Guará e está sem a visão há 11 anos. Pessoas ligadas à instituição souberam de sua situação e foi aprovada para se mudar para o local. Apesar da condição visual, Lúcia tem liberdade para sair quando precisa e até pode passar alguns dias fora, desde que ela e a responsável assinem um termo de responsabilidade.
Se eu precisar sair posso sair, depois volto, posso ficar alguns dias fora, assino um termo, a pessoa que vai me levar assina. E é tudo assim muito tranquilo, não tem nada de afobação, medo, receio. Eu gosto daqui”, afirma Lúcia
Ilza Sales, que está abrigada no local há 4 anos, afirma que não queria ir, mas optou em ficar após visitar e gostar da pousada. Segundo ela, gosta de participar de praticamente todas as atividades, mas suas preferências são pintura, arte culinária e passar a manhã inteira no pergolado da horta lendo.
“Gosto muito daqui. Logo eu não queria vir. Mas vim conhecer. Eu gostei e vim e tô gostando. As pessoas são maravilhosas”, disse Ilza.
Horta
José Carlos, que está temporariamente cuidando da horta, disse que o cultivo é livre de qualquer tipo de agrotóxico, o que contribui para alimentos frescos e uma alimentação de qualidade para os idosos na instituição.
“Para alimentação, isso aqui é muito bom pra eles também, porque é tudo orgânico aqui, tudo da hora, tudo fresquinho, muito bom pra eles”, afirma José
Na horta cultiva-se coentro, cebolinha, cenoura, acerola, limão, tomate e vários outros alimentos. Os idosos que possuem condições físicas ajudam ativamente na colheita, o que contribui como uma terapia.
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira
Fonte Jornal de Brasília
Foto: Reprodução












