Dia da Paz: Distrito Federal aposta no diálogo e na arte para a prevenção de conflitos

Iniciativas socioculturais na capital buscam a convivência harmoniosa e a mediação de tensões cotidianas antes do surgimento da violência

No dia 21 de setembro de 2026, às 20 horas, o Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília, apresenta um concerto gratuito da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional. O foco é promover a cultura da paz. O Maestro Cláudio Cohen e a Embaixadora da Paz Maria Paula reúnem a comunidade do Distrito Federal em prol do diálogo e da escuta. Os ingressos estão disponíveis para retirada no Sympla.

Para consolidar uma cultura de paz é necessário o compromisso diário de toda a sociedade. A proposta do encontro vem da ideia de que a educação, a escuta atenta e a criação de espaços que estimulem a coletividade ajudam a assegurar uma convivência harmoniosa. Então a manifestação artística aparece como um elo para a aproximação de cidadãos de origens, religiões e ideologias diferentes.

Arte, escuta e virtudes no cotidiano

Maria Paula, embaixadora da paz e vice-presidente do Instituto Gabriel Gatal (IGG), defende que para atingir a paz são necessárias atitudes diárias de discernimento, perdão e reconciliação. Para a pacifista, a prevenção deve anteceder as crises interpessoais e sociais.

“A paz não pode ser apenas uma palavra que repetimos quando a guerra começa. Ela precisa ser uma cultura que construímos antes que a violência aconteça. A arte nos lembra de algo essencial: por trás de todas as nossas diferenças existe uma humanidade compartilhada. Queremos que, nessa noite, Brasília possa sentir isso”, afirma Maria Paula.

Ela também enfatiza a necessidade de locais públicos seguros, bem cuidados e acessíveis em todo o Distrito Federal. “Brasília precisa criar espaços onde as pessoas queiram estar juntas: praças e parques bem cuidados, acessíveis, iluminados e com atividades culturais gratuitas. Isso deve chegar também às regiões administrativas, para que a convivência não dependa de morar perto do Plano Piloto. Mas o espaço físico, sozinho, não basta. É preciso ouvir os moradores, acolher as diferenças e oferecer oportunidades de encontro, especialmente entre crianças e jovens. A paz se constrói quando as pessoas se sentem seguras, pertencentes e responsáveis umas pelas outras”, destaca.

Repertório focado em fraternidade universal

Com a regência do Maestro Cláudio Cohen, a Orquestra Sinfônica interpreta obras consagradas no repertório popular, associadas a ideias de união, esperança e paz entre os povos. A programação ainda inclui o movimento final da Nona Sinfonia de Beethoven, além da famosa música Imagine, de John Lennon.

Para Cohen, a orquestra possui um papel ativo no estímulo ao diálogo e à integração sociocultural do Distrito Federal. “A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro (OSTNCS) é um organismo cultural oficial do DF de extrema relevância não só na difusão da música, mas também como agregador das culturas. Eu sempre digo que a OSTNCS é a embaixadora cultural do DF, já que através da música proporciona a conexão das culturas”, destaca o regente.

O maestro ressalta a paz como resultado direto dessas ações comunitárias e institucionais. “Realizamos frequentemente concertos que envolvem as nações, embaixadas e organismos internacionais com esse intuito de integração. A paz é uma consequência dessas ações, já que a linguagem é de caráter universal e busca unir através da diversidade de seu discurso”, explica Cohen.

Ações em escolas e o trabalho da Educação

Para se construir uma convivência pacífica tudo começa na formação básica e no ambiente escolar. Por meio da Assessoria Especial de Cultura de Paz (AECP), a Secretaria de Estado de Educação estimula a escuta, o diálogo e o compromisso ético de prevenir situações de violência. De 2024 até o primeiro semestre de 2026, as ações promovidas pela AECP alcançaram 117.084 alunos e 10.550 profissionais da educação da rede pública do DF.

Esse tipo de atuação ajuda a conectar escolas, Coordenações Regionais de Ensino, famílias e a rede de proteção social. Juntamente a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), o programa Turminha Mais Segura utiliza o teatro para falar sobre inclusão. Já o projeto Promotores de Segurança Cidadã foca no protagonismo juvenil. Em cooperação com a Polícia Federal, o programa Guardiões da Infância tem como objetivo orientar crianças e adolescentes sobre a prevenção de crimes cibernéticos.

A Secretaria reforça o compromisso em continuar com ações como essas. “A SEEDF reconhece que os desafios da convivência escolar exigem ações contínuas e integradas ao dia a dia das unidades de ensino, sempre com a participação ativa dos estudantes. Para avançar nesta consolidação, a secretaria trabalha no aprimoramento constante de suas políticas, o que inclui a ampliação da formação profissional, o fortalecimento das práticas restaurativas e a modernização contínua dos fluxos de atendimento e prevenção”.

Desafios para atingir a paz no Distrito Federal

A busca pela consolidação da cultura de paz no Distrito Federal exige que outros diversos setores comunitários e esferas governamentais realizem articulações entre si. Essa discussão sobre o convívio pacifico, traz luz para reflexões sobre o significado de viver em paz na capital e sobre as políticas públicas necessárias para substituir a violência pela mediação de conflitos.

A integração entre segurança comunitária, projetos pedagógicos nas escolas públicas e acesso universal a eventos socioculturais constituem a estrutura para a prevenção do crime e a promoção da harmonia social.Sob a perspectiva da segurança pública, viver em paz significa exercer a rotina com plena liberdade e proteção.

O advogado criminalista e especialista em segurança pública, Marcelo Almeida ressalta que a tranquilidade social vai além da repressão policial. “Viver em paz significa poder exercer a rotina com liberdade e segurança: sair de casa, trabalhar, estudar, utilizar os espaços públicos e voltar para casa sem que o medo da violência determine nossas escolhas. Do ponto de vista da segurança pública, isso exige mais do que repressão ao crime. Exige policiamento eficiente e capacidade de resposta, mas também prevenção, inteligência, proximidade com a comunidade e identificação antecipada dos fatores que podem levar à violência”, aponta Almeida.

Marcelo alerta também sobre os riscos da ausência de canais de escuta nas comunidades. “Muitos episódios graves são precedidos por conflitos menores que se acumulam: desentendimentos familiares, escolares, entre vizinhos, bullying, ameaças, intolerância ou situações em que as pessoas simplesmente deixam de dialogar. A ausência de canais de escuta pode fazer com que um problema administrável se transforme em confronto”, enfatiza o advogado.

Para o especialista, a atuação em conjunto das políticas públicas potencializa a prevenção. A segurança pública identifica riscos e protege. A educação trabalha valores, cidadania, convivência e perspectivas de futuro. A cultura cria pertencimento, identidade, expressão e ocupação positiva dos espaços e do tempo, especialmente entre crianças e jovens”, conclui.

Serviço

Data: 21 de setembro de 2026

Horário: 20h

Local: Teatro Nacional Cláudio Santoro

Ingressos: gratuitos mediante a retirada no aplicativo Sympla

Fonte Jornal de Brasília
Foto: Alan Moreira