Festa do Divino reúne tradição, fé e cultura popular em Planaltina

Governadora Celina Leão marca presença na 144ª edição da celebração reconhecida como patrimônio cultural imaterial do DF

Planaltina reviveu, neste sábado (23), uma das tradições mais antigas e simbólicas do Distrito Federal. A Festa do Divino Espírito Santo chega à 144ª edição e reúne fé, cultura popular e devoção em celebrações que atravessam gerações e mantêm viva uma história iniciada antes mesmo da construção de Brasília. A governadora Celina Leão acompanhou a festividade deste sábado, que segue até 24 de maio e deve atrair cerca de 50 mil pessoas em dez dias de celebrações gratuitas espalhadas por paróquias, capelas e pela tradicional Folia de Roça.

“Essa é uma festa que representa muito a fé, a tradição e a união do povo de Planaltina. É emocionante ver a cidade inteira envolvida, as paróquias participando, as famílias ajudando e mantendo viva uma celebração que atravessa gerações. Eu frequento a Festa do Divino há muitos anos e sei da importância que ela tem para a identidade cultural do Distrito Federal”, declarou Celina Leão.

A chefe do Executivo destacou, ainda, a importância do evento para a preservação da cultura e da fé em Planaltina e anunciou que o GDF vai encaminhar à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) um projeto para incluir oficialmente a celebração no calendário oficial de eventos da capital.

Segundo a governadora, a medida deve facilitar trâmites administrativos e ampliar o apoio institucional à celebração, reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal desde 2013. “Isso vai garantir ainda mais apoio para que essa tradição continue forte por muitos anos”, acrescentou Celina.

O cardeal Dom Paulo Cezar Costa, arcebispo metropolitano de Brasília, destacou o significado religioso e popular da Festa do Divino Espírito Santo. “Essa é uma festa popular muito bonita, mas que tem como centro o Espírito Santo. É o povo reconhecendo a ação do Espírito Santo na vida de cada pessoa, na caminhada do dia a dia e também na vida da comunidade. Por isso vemos essa manifestação tão forte de fé, com as bandeiras chegando, as pessoas caminhando e vindo celebrar juntas. Hoje é um dia de alegria, oração e união do povo em torno da fé”, afirmou.

Pontos de apoio

Durante a Festa do Divino, os foliões contam com paradas de apoio ao longo do trajeto, como o Café das Frutas, que marca a recepção de foliões, cavaleiros e visitantes com mesas fartas de frutas, bolos, café e quitandas típicas. Mantida por gerações de famílias, a tradição simboliza hospitalidade, devoção e agradecimento ao Divino Espírito Santo.

O guia da folia, Joaquim Luís de Sousa, há 35 anos à frente do grupo, destacou a força da tradição e da fé que atravessa gerações. Segundo ele, a festa reúne multidões e carrega um significado que vem de família. “Meu pai tocava viola, numa época em que não tinha sanfona nem som, e o povo dançava ao som da viola. Eu peguei gosto vendo meus tios, todos envolvidos com a Festa do Divino. A gente vai acompanhando, aprendendo, e isso acaba ficando no sangue”, contou.

Além do simbolismo, o café também cumpre um papel prático. “Os foliões saem cedo da roça, participam dos encontros e só vão almoçar mais tarde. Então, as frutas ajudam a reforçar a alimentação até a hora do almoço”, explicou.

Desde as 6h da manhã, o pequeno Bernardo Oliveira, de 11 anos, já estava à cavalo acompanhando a folia. Ao lado da família, ele disse que acordou cedo para se preparar. “A gente levantou, tomou banho, foi no curral pegar o cavalo e trouxe no reboque. Eu gosto muito de folia, de andar a cavalo. Esse evento é muito bom para mim, para o meu pai e para a minha mãe.”

Para ele, as paradas ao longo do percurso fazem diferença. “É importante parar um pouco, comer, beber água, por causa do sol, para a gente não passar mal”, relatou. 

A Casa dos Idosos, ponto tradicional da celebração, recebeu também a governadora do DF com um café da manhã. Pioneiro na cidade e parte da história local, o casal Maria Alice Guimarães, de 81 anos, e Salviano Guimarães, de 83, reforçaram o simbolismo da data e a alegria de participar da celebração. 

“A festa do Divino representa um marco muito grande para a nossa religião. Mais que isso, também é uma ligação profunda familiar e um compromisso com Deus e com a comunidade”, destacou a aposentada Maria Alice. O marido completou: “Nossa família é reconhecida por esse trabalho, então é uma honra para nós, que estamos aqui desde tanto tempo”. 

Tradição e história

A Festa do Divino Espírito Santo de Planaltina foi oficialmente reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal por meio do Decreto nº 34.370, publicado em 17 de maio de 2013. O reconhecimento trouxe proteção oficial à celebração, considerada uma das manifestações religiosas e culturais mais importantes do DF, além de símbolo da memória e da identidade cultural da população de Planaltina.

A programação reúne missas, novenas, procissões, cortejos, giros das folias, apresentações culturais, cafés da manhã comunitários, barraquinhas e almoços gratuitos oferecidos à população.

Foto: Renato Alves/Agência Brasília