Cada costura conta uma história. Com esse lema, tecidos e peças que poderiam ser descartados ganham um novo significado pelas mãos de costureiras e estilistas que trabalham junto com o LEVVO Instituto, em Taguatinga. É a iniciativa Jeans do Bem, que une design, sustentabilidade, trabalho artesanal e impacto social para propor uma nova forma de fazer moda.
O Jornal de Brasília foi até o local onde o jeans é transformado para conversar com as pessoas que participam desse processo. O projeto foi idealizado pela empresária Laura Oliveira, CEO do Grupo LEVVO, em 2018. O Jeans do Bem surgiu inicialmente como um projeto social tendo o upcycling como uma de suas principais ferramentas. O upcycling consiste em dar um novo e melhor propósito para um material que seria descartado, transformando-o em produtos de maior valor, qualidade, utilidade ou apelo estético.
A proposta do Jeans do Bem era justamente essa: ressignificar materiais e transformar peças que poderiam ser descartadas em novos produtos, prolongando sua vida útil e criando novas possibilidades a partir do denim. Com o passar dos anos, o projeto evoluiu, como bem apontou Laura Oliveira. “O Jeans do Bem se iniciou como um projeto social dentro do LEVVO Instituto. Hoje nós tiramos ele do projeto social, transformamos num CNPJ para fazer brindes corporativos, e doamos 20% [do valor arrecadado]. Hoje nós também ajudamos na parte social e fazemos os cursos para treinar as costureiras para trazer dignidade e trabalho social”, comentou.
O projeto desenvolveu coleções autorais e passou a atuar tanto no mercado fashion quanto no segmento corporativo, levando a proposta sustentável para roupas, bolsas, acessórios, nécessaires, ecobags e projetos personalizados para empresas. Para desenvolver todo esse trabalho, muitas mãos são necessárias, como as de Dienifer Stefani, de São Sebastião. Ao JBr, ela contou como o projeto transformou a vida dela. “Eu era uma simples dona de casa e hoje eu sou uma costureira”.
Ela relatou que conheceu o Jeans do Bem durante a pandemia e que isso foi uma chave para superar momentos difíceis na época. “Eu estava dentro de casa com depressão, ansiedade e sem perspectiva de vida. Quando eu conheci o projeto, isso me trouxe um olhar diferente e me mostrou que eu posso ser mais do que uma dona de casa, que eu posso aprender e também levar mais conhecimentos”, disse a costureira. Hoje, Dienifer é peça fundamental no projeto ao ressignificar jeans e outros tecidos que perderiam sua função original por meio do upcycling.
Moda e sustentabilidade
A estilista Sillas Filgueira também teve a vida impactada pelo Jeans do Bem. Natural de Salvador, na Bahia, ela conheceu o projeto durante uma passagem em Brasília e foi convidada a participar da iniciativa. Ela falou um pouco sobre o processo artístico de transformar materiais que seriam descartados em peças totalmente novas. “Nosso nosso produto de moda é todo feito à base de calças jeans. Então é feita uma pesquisa, um estudo, desenvolvemos as modelagens para criar algo além de roupa. Nosso trabalho aqui inclui afeto, inclui amor, inclui participação, que é importante. A gente faz um trabalho comunitário”, pontuou a estilista.
Sillas também ressaltou a importância da sustentabilidade nesse processo. A marca trabalha com reaproveitamento de jeans aliado a novos materiais e processos de produção artesanal. “A gente tenta ter o mínimo de desperdício de matéria-prima. Nós arrecadamos calças de alguns shoppings daqui de Brasília, pegamos esses jeans, higienizamos, lavamos e fazemos dele um novo produto. É esse produto que gera renda para essas costureiras da comunidade, então não é só um trabalho de fazer moda, tem todo o social a partir daí”, explicou.
Fonte Jornal de Brasília
Foto: Vítor Ventura/Jornal de Brasília












