Inundam as redes sociais com a mesma força das águas de março manifestações em defesa dos direitos das mulheres. Muitos homens com visibilidade também levantam a bandeira e se comprometem a entrar na luta. Este mês da mulher começou com a lembrança de que esse é um acordo social incontestável.
Subimos aos palcos e estampamos páginas de jornais para contar nossas histórias e jogar luz a pesquisadoras que nos alertam sobre dados alarmantes de violência, impacto econômico e subjugação. E repetimos mais e mais vezes que tudo isso não pode ser naturalizado, a vigilância precisa se estender a todos os meses, dias e horas do ano.
Na última semana, Brasília recebeu Maria da Penha, uma das palestrantes do Movimente, evento do Sebrae, para falar de sua história e também da potência do empreededorismo feminino. Mesmo depois de ter sido quase morta por duas vezes, vítima de um ex, ela teve sua história contestada e precisou voltar a contar com proteção especial após receber ameaças, novamente, por ser quem é: uma mulher, vítima de violência, símbolo da luta feminina por sobrevivência e que dá nome à legislação que é exemplo mundial.
Revitimização não é mimimi. É o equivalente à tortura, a mais desrespeito e a violência, num país onde essa é a principal arma usada para nos manter caladas. O silêncio que a vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro rompeu para levar à cadeia os crimonosos que a enganaram e a fizeram, por minutos de dor escrusciante, duvidar de si mesma. “A lei precisa ser efetivada, não apenas celebrada”, ressaltou Maria da Penha.
Também tive o privilégio de participar do Movimente, em uma mesa para discutir políticas públicas. Além de ressaltar a importância de ações voltadas ao público feminino, sejam programas de acolhimento, sejam de incentivo financeiro e ajuda na criação de networking, falamos sobre educação e sobre o papel da imprensa.
Em tempos em que a crise de curadoria se agrava, excesso de informação também é desinformação, e cabe a nós, jornalistas, evoluirmos em coberturas de pautas relacionadas à igualdade de gênero e também fazer com competência aquilo que sempre nos dedicamos a fazer: exaltar histórias de sucesso, denunciar violações e ouvir de quem entende as orientações para um caminho menos árduo para todas nós.
Por Jornal do Itapoã
Fonte Correio Braziliense
Foto: Alicia Bernardes











